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O jogo só se dá no decorrer do jogo
Usando de uma imagem para representar a experiência formativa do Ano 3 do Blog da Fadi, eu diria que se assemelha a jogar um jogo. Antes do jogo do Blog começar, temos um conjunto de regras – premissas do trabalho (no nosso caso, a promoção da cidadania por meio do estudo de objetos jurídicos), bases teóricas orientativas, critérios de correção, limites discursivos, organização e seleção dos grupos, horários de permanência, metas de entrega; um espaço de manobra (a sala de aula); e uma série de jogadores em times (alunos, professores, especialistas, equipe da TI, coordenação) cada qual com seus papeis e funções. No entanto, o jogo só se dá no decorrer do jogo.

Para que o jogo ocorra, todos devem colaborar. Em cada um dos times, compostos por diferentes alunos, não há rivalidade, mas colaboração; não há (ou não deveria haver) irresponsabilidade, mas comprometimento; não há caminho fácil, mas sim a dificuldade do percurso acadêmico. Embora cada qual queira vencer – a professora quer vencer suas metas que conduzem ao protagonismo discente; os alunos querem vencer os prazos e as faltas, entregando um resultado que represente todas as horas dedicadas ao trabalho –, todos devem jogar o mesmo jogo, pois, do contrário, não haverá jogo algum. Para que todos vençam, superando, de certa forma, a lógica meritocrática do sucesso individual a todo custo, devem ser respeitadas as mesmas regras: responsabilidade, comprometimento, dedicação e notas de idealismo, aquele espaço silencioso entre o sonho e a realidade.
                
Não adianta reunir os times se cada um dos integrantes quer jogar um jogo. Se um jogador quer apenas entregar um trabalho raso, na média, ele pode comprometer todos os outros que aspiram resultados promissores. Alguns jogadores carregam mais de uma função em campo, outros decidem ser carregados porque ainda não entenderam que o jogo do Blog é, na verdade, o jogo diante do espelho, que reflete a responsabilidade envolvida na formação jurídica superior, que se apoia nas doutrinas, mas não se limita a elas. No Ano 3 deste campeonato, formado por 26 times, os acertos foram infinitamente maiores que os erros; as regras foram cumpridas, com raríssimas exceções; e o jogo foi construído no decorrer do jogo.
                
Quem assiste à partida, pode pensar que ela é um resultado fácil de se alcançar, mas eu garanto que, entre dribles e gols, há uma substância humana que, atrelada ao componente técnico, faz de cada trabalho um belíssimo resultado. Nesta edição, novamente, o jogo ultrapassa os limites do estádio e atinge a sociedade, que terá a chance de ver o protagonismo de jovens inteligentes, socialmente engajados e dispostos a aprender diante de desafios. Mais: terá a chance de conhecer a Fadi a partir dos seus bastidores, do que acontece nos vestiários, nas reuniões de grupo, nas aulas-oficina, nos vídeos-devolutiva, no projeto pedagógico da disciplina de Extensão. Os temas estão igualmente interessantes: democracia, direito à cultura, o caso do Banco Master, os direitos dos pacientes oncológicos, o tratamento de dados, feminicídio, segurança pública, PL 1904/2024 e PL 2630/2020, medida protetiva, discriminação hospitalar, inclusão digital de idosos, canetas emagrecedoras, deep fake, análise da série Pssica (Netflix), insegurança alimentar, ECA Digital, cigarros eletrônicos, STF, profissão jogador, casamento, investimentos na ciência, cirurgias plásticas pelo SUS e falibilidade da prova testemunhal.
                  
Aos professores da instituição e todos os entrevistados, obrigada por abraçarem o projeto e incentivarem a aprendizagem. Aos alunos, os protagonistas do jogo, obrigada pela disponibilidade de se aventurar no universo da pesquisa, pela dedicação nas aulas-oficina, pela confiança nas orientações e por respeitarem a educação como força emancipadora. Acompanhar o crescimento de cada um dos jogadores faz o jogo ser construído no decorrer do jogo, fortalecendo a educação como um espaço coletivo, afastando-se de uma ideia unilateral de ensino-aprendizagem: como afirma Laval (2019), “a escola não é uma empresa”.
                 
Sejam todos muito bem-vindos ao Blog da Fadi, Ano 3: um projeto da disciplina de Extensão, que pretende criar pontes entre a FADI e a Comunidade, reforçando os valores democráticos e o direito à educação de qualidade.
Professora Mônica Miliani Martinez

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